As Serpentes e escadas são pura sorte, por isso jogue-as bem
Vamos tirar já do caminho a parte honesta. As Serpentes e escadas não têm habilidade nenhuma. Nem um bocadinho: nenhuma. Cada jogador lança, cada jogador avança, ninguém toma nenhuma decisão em momento nenhum. O resultado de uma partida fica decidido no instante em que os dados caem.
Não é uma crítica. É exatamente a razão por que o jogo sobreviveu durante séculos e por que uma criança de seis anos pode ganhar a um adulto sem que ninguém a deixe ganhar. Mas quer dizer que a pergunta interessante não é como ganhar. É como jogar.
O tabuleiro faz mais do que pensa
Mesmo sem decisões, o tabuleiro tem uma forma, e conhecê-la torna a partida mais divertida de ver.
As escadas compridas do início são as que decidem as partidas. Uma escada nas primeiras vinte casas pode levá-lo quase ao topo do tabuleiro, e é por isso que um jogador pode parecer perdido durante dez jogadas e depois ir à frente. As serpentes perto do topo fazem o mesmo ao contrário, e são a razão por que ninguém está a salvo até cair mesmo no 100.
Essa reta final é a parte cruel. Precisa do número exato para acabar. Um jogador na 97 que precisa de um três pode ver outros dois passarem-lhe à frente enquanto lhe saem quatros e cincos. Não é azar, é o desenho, e é isso que mantém toda a gente na partida até à última jogada.
Quatro jogadores é o número certo
Com dois jogadores é atirar uma moeda ao ar durante dez minutos. Com quatro torna-se um espetáculo, porque há sempre alguém a subir e alguém a cair, e as reviravoltas calham a pessoas diferentes em momentos diferentes.
Se for escolher um modo, escolha o que tiver mais gente.
Que modo usar realmente
O Snakes and Ladders Jim dá-lhe quatro formas de jogar, e são experiências realmente diferentes, não a mesma coisa com outro nome.
- A sala privada é a boa. Crie uma sala, mande o código e só entra o seu grupo. É a versão que parece o jogo de tabuleiro, porque as brincadeiras são o que interessa e joga com quem conhece.
- Online com desconhecidos serve para encher cinco minutos, mas não há ninguém de quem se rir quando cai na serpente grande, que é quase toda a graça.
- À vez num só dispositivo é o mais parecido com o original. Um telemóvel em cima da mesa e toda a gente debruçada sobre ele. Funciona muito melhor do que parece.
- Contra o computador existe para quando quer jogar e não há ninguém. É uma boa forma de passar uma fila.
Jogar com crianças
É este o verdadeiro trabalho do jogo, e vale a pena dizer porque o faz bem.
Uma criança pode jogar Serpentes e escadas em total igualdade com um adulto desde o primeiro dia. Sem desvantagem, sem a deixar ganhar, sem explicações. Pode ganhar a sério, e sabe que foi uma vitória a sério, o que é uma sensação diferente de a deixarem ganhar em algo mais difícil.
E ensina, sem se notar, a contar até cem, a esperar a vez e a perder sem que o mundo acabe. Não é pouca coisa.
Em resumo
- Não há estratégia, e fingir o contrário estraga tudo
- As escadas do início e as serpentes do fim são as que criam as reviravoltas
- Quatro jogadores é muito melhor do que dois
- As salas privadas com quem conhece são, de longe, o melhor modo
- É um dos poucos jogos em que uma criança pequena compete em igualdade com um adulto
Se quer um jogo em que possa melhorar, temos um de Ludo. Se quer vinte minutos em que ninguém tem vantagem e toda a gente grita para um ecrã, é este.